 | Category: | Movies | | Genre: | Comedy |
Com o lançamento tardio do fantástico SHAOLIN SOCCER em VHS e DVD no Brasil, a revista SET questionou o porquê do filme não ter sido exibido nos cinemas, já que aqui, supostamente, é o "país do futebol", e SHAOLIN SOCCER nada mais é do que uma das mais apaixonadas (e engraçadas) homenagens a este esporte. Mas eu vou mais além: como é que essa porcaria de "país do futebol" nunca foi capaz de dar um tempo nos filmes sobre a miséria no Nordeste e a criminalidade urbana para fazer uma história sobre futebol tão legal quanto essa que os chineses lançaram? Vale lembrar que as únicas referências futebolísticas nos filmes nacionais são os meia-boca OS TRAPALHÕES E O REI DO FUTEBOL e UMA AVENTURA DO ZICO, entre outros títulos de menor importância.
E o pior nem é constatar a falta de visão das distribuidoras brasileiras, que trazem SHAOLIN SOCCER com quatro anos de atraso, mas sim a extrema imbecilidade da empresa, que não só traduziu o título para KUNG-FU FUTEBOL CLUBE, mas ainda preferiu lançar aqui a versão americana do filme, editada para o mercado dos Estados Unidos pela Miramax, e que cortou o original de 102 minutos para míseros 80 minutos! Dá pra agüentar? Vários diálogos, cenas que ajudam na construção dos personagens e até momentos um pouco mais violentos não estão no DVD nacional só porque a distribuidora brasileira não teve visão de mercado para pegar o filme direto do Oriente, trazendo a versão mastigadinha e cortada dos americanos. Coisa que nem é novidade: o recente ONG-BAK, da Tailândia, também foi lançado aqui em versão editada, que torna incompreensível a relação entre alguns dos personagens - quem já viu o filme sabe do que estou falando. Até quando vamos ter que aturar este desrespeito?
Mas e quanto a SHAOLIN SOCCER? Bem, vou resumir em poucas palavras: não sou lá muito fã de futebol, não consigo ficar 90 minutos assistindo a uma partida de final de campeonato, mas vibrei e ri muito durante os 80 (argh!) minutos de projeção desta pérola dirigida e estrelada por Stephen Chow. O astro/cineasta resgata um humor bobo e ingênuo que está meio em desuso na comédia atual (onde estão preferindo dar destaque para piadas sexistas e chulas), e isso funciona a maior parte do tempo. Ao contrário do também oriental Jackie Chan, Chow ainda exagera tudo, fazendo seus personagens voarem (por contra própria ou com os golpes de kung-fu), atravessarem paredes, etc. Espere só para ver o resultado das jogadas mais violentas durante as partidas de futebol!
Para melhor caracterizar o que é SHAOLIN SOCCER, imagine se os personagens do jogo STREET FIGHTER 2 se encontrassem para jogar uma pelada, com a oportunidade de trocar porradas e usar seus golpes especiais para marcar gols. É mais ou menos isso: a história acompanha a ascensão de um time formado por mestres de kung-fu, que vivem numa miséria de dar pena. Eles vencem seus adversários justamente por usarem os golpes aprendidos em anos de treinamento. E todos têm sua própria característica. Dessa forma, o herói Sing "Perna de Aço" consegue dar chutes onde a bola vai para a estratosfera ou então atravessa um muro. Ele usa este poder para marcar gols do meio-de-campo, na saída da bola, diante do olhar estupefato dos adversários! Mas há ainda o Cabeça de Aço (Yut Fei Wong), capaz de desferir uma cabeçada fulminante, o super-goleiro que imita Bruce Lee (no corte de cabelo e no uniforme amarelo usado em O JOGO DA MORTE) e defende o gol como se estivesse num filme da série MATRIX, entre outros. Todos são treinados por "Perna de Ouro" Fung (Man Tat Ng), o maior craque de futebol dos anos 80, que virou mendigo após ter sua perna quebrada pelo seu arquiinimigo, o treinador do "Time do Mal". Existe ainda uma trama secundária, com o caso de amor entre Sing e Mui, uma tímida e feia vendedora de pães, que também é mestre de kung-fu (!!!).
A história é extremamente simples e tola e, basicamente, conta como um time medíocre consegue surgir do nada, ganhar todas as partidas, enfrentar um jogo difícil no final e então ganhar a Super Copa oriental. Ou seja, toda aquela balela de que "é preciso acreditar em nossos sonhos", e que "a união faz a força". Se fosse um filme americano, SHAOLIN SOCCER seria repleto de cenas onde os personagens fazem discursos e lições de moral defendendo estes sábios ensinamentos, enquanto uma música triunfal toca ao fundo. É a típica "lição de moral". Felizmente, SHAOLIN SOCCER dispensa essas frescuras e se preocupa apenas com o humor, e não em tentar passar noções de auto-ajuda ao espectador. Se existe "moral da história", esta nunca é jogada na cara do espectador. O foco é a diversão. Qualquer um vai imaginar, desde o começo, que o time de lutadores pés-rapados vai sair vencedor no final. Mas é o caminho até lá - do treinamento aos primeiros jogos, já que ninguém nunca jogou futebol no time!!! - que conta, não a conclusão propriamente dita.
É impossível não rolar de rir com o jogo onde o time shaolin aplica 60 a zero nos adversários! Ou com a hilariante partida final, em que os jogadores de ambos os lados (do time shaolin e do malvado Time do Mal) esquecem a beleza do esporte para desferir golpes violentos e chutes poderosos, onde a bola chega a entrar em chamas durante o percurso, tal a velocidade que atinge. O exagero é tamanho que Chow não deixa nem de filmar o estrago provocado pelos violentos petardos em dois goleiros do time shaolin, que chegam a ter as luvas incendiadas e os uniformes destruídos pelo poder dos chutes! Em outras vezes, o diretor é obrigado a mostrar algumas cenas em câmera lenta, "congelando" o tempo para que possamos ver melhor as façanhas futebolísticas dos mestres do kung-fu! É um festival de efeitos visuais que só vendo: a bola às vezes chega a deixar um rastro de grama arrancada no campo, outras vezes destrói as traves da goleira! Claro, há muitas piadas bestas no meio - mas como estas são maioria em qualquer comédia ocidental, podemos dar tranqüilamente um desconto.
SHAOLIN SOCCER ainda diverte com variadas citações cinematográficas, não só ao personagem que imita Bruce Lee, mas também momentos que recriam cenas famosas. Em uma delas, por exemplo, o treinador "Perna de Ouro" fica espantado com a vibração de água dentro de um copo... Mas não é um T-Rex se aproximando, como em PARQUE DOS DINOSSAUROS (de onde foi retirada a cena), mas sim o impacto dos chutes de Sing contra um muro de pedra! Momentos como esse transformam SHAOLIN SOCCER em uma divertida brincadeira de cinéfilo, por isso é uma pena que não possamos ver no Brasil a versão completa, com 102 minutos. Até quando seremos obrigados a conviver com este descaso de nossas distribuidoras de filmes?
De todo jeito, o sucesso de SHAOLIN SOCCER abriu as portas do Ocidente para o cineasta Stephen Chow, que amplia a níveis ainda maiores seu humor absurdo e exageradamente visual no recente KUNG-FUSÃO, este sim estreando nos cinemas brasileiros. Quem sabe assim corrigem a injustiça feita com o excelente SHAOLIN SOCCER, que não podia - nem devia - ter passado em branco por aqui. Tire a prova, alugue o filme, reúna os amigos e prepare-se para rir muito! Dá até vontade de trocar socos e pontapés na próxima pelada com a turma... 
 |      Cara ,que filme!!!!Muito bom mesmo, comprei ontem e fui logo assistindo.Só agora eu vi a sua critica, aliais como sempre muito boa,é uma pena que as distribuidoras brasileiras sejam assim, tão relapsas,agora, imagine se por um acaso da vida lançarem Batlle Royale la nos EUA,todo picotado,azar o nosso, porque as empresas de distribuição de filmes no Brasil só dar valor , eu diria que uns 80%,aos filmes que tenham sidos lançados nos EUA. É uma pena que grandes distribuidoras pensem assim, e isso me dar uma saudade daquele tempo em que tínhamos mais de 200 distribuidoras no Brasil, lançando tudo que é filme.Fica ai o meu descontentamento. Quer merda!!!!!Te mais cara. |
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